Fui magra a maior parte da minha vida. Nunca tive dificuldade em caber em vestidos ou em andar em bikini reduzido na praia. Na maior parte da minha vida nunca fiz dieta e o exercício físico era apenas uma diversão e não uma necessidade. Nunca entendi os dilemas das “gordinhas” em emagrecer, para mim era como beber água.
Até ao dia que soube que estava grávida.
A partir daí o meu corpo mudou. O meu metabolismo mudou. Até a minha tiróide deu sinal de vida. Parece que os 27 anos em que andei a curtir sem grandes preocupações tinham acabado.
Estar grávida foi a melhor coisa que me podia ter acontecido. Vivi tudo com muita intensidade. E com muito peso, também. Engordei 25 kilos.
Dei o benefício da dúvida e pensei que depois de ter a minha filha e com a amamentação, o meu corpo voltaria, sem grandes sacrifícios, a ser o que era. Não podia estar mais enganada.
Nos anos que se seguiram foi uma luta tremenda contra o peso. Dietas erradas e prejudiciais à saúde, hipotiroidismo, exercício físico a ser encarado de ânimo leve e muita preguiça com desleixo à mistura.
Conformei-me. As idas à praia eram cada vez mais escassas, sentia-me gorda, muito gorda, com a auto estima em baixo e decidi que já chegava de ouvir “estás mais gordinha” ou “eras tão gira quando gravavas os morangos, o que te aconteceu?” Olhava-me ao espelho e sentia me enorme. Chorei. Chorei muito.
Até que senti que estava na hora de mudar, que já chegava de não ter orgulho em mim, no meu corpo e na minha imagem. E comecei a mudar, sobretudo cá dentro.
Abandonei as dietas loucas que não me levavam a lado nenhum e os cremes redutores que também não ajudavam.
Comecei a treinar todos os dias com um PT, a alimentar-me em condições acompanhada de um nutricionista que finalmente me conseguia motivar e sim, recorri à cirurgia plástica. Tirei peito e fiz um lifting, a chamada “Arrumação de mamas” (adoro esta expressão). Fiz ainda uma lipo laser na barriga para tirar aquela gordura que tinha ficado da gravidez e que não saía nem por nada.
Actualmente sinto-me como se tivesse 20 anos e troquei os antigos lanches pelos novos.
De torradas cheias de manteiga passei a omoletes, dos cafés com leite cheios de açucar passei a café preto sem nada.
De sumos e coca cola passei a água.
Mas radicalmente. Às vezes nem eu acredito.
Cheguei à conclusão que comigo, só assim funciona. Ou 8 ou 80.
Se a vontade de ficar no sofá é muita, acreditem que quando penso em como posso ficar e na minha saúde levanto-me em dois tempos.
Desde que mudei a minha forma de estar e de ver a vida, que estou mais saudavél, não adoeço tanto, nem ando tão cansada.
A mudança depende apenas de nós. E isso é o mais importante. Cabe-nos a nós decidir e encontrar dentro de nós a melhor maneira.
Se já estou totalmente satisfeita com o meu corpo? Ainda não… Mas estou cada vez mais perto!

 

As Dicas do Personal Trainer Bruno Queirós

SEDENTARISMO
Com a evolução dos tempos, das tecnologias e da modernização dos meios de transporte, o Sedentarismo acentuou-se para níveis muito preocupantes. Começou a ser “normal” a ausência de atividade física no quotidiano do ser humano comum e a falta de coerência no que diz respeito à sua alimentação, valendo assim essencialmente, a lei do menor esforço, numa extrema apreciação dos confortos da vida moderna.
Portugal é o país da Europa com maior taxa de sedentarismo, estima-se que 70% da população seja sedentária, estando naturalmente associada a vários problemas de saúde como: Obesidade, Diabetes, Hipertensão, Osteoporose, Cancro, Depressão, Colesterol alto, Doenças Cardiovasculares (a maior causa de morte em Portugal), Hipotrofia Muscular, Impotência sexual, fraca capacidade de resposta do sistema imunitário, entre muitas outras.
De um modo geral, todas estas patologias conduzem a uma perda de qualidade de vida e à “morte” precoce das funções vitais do organismo.
Mais grave ainda, são as novas gerações que vão crescendo habituadas aos cereais, às bolachas carregadas de açúcar e aos hambúrgueres sabe-se lá feitos de quê.
Na minha geração eu brincava à apanhada, saltava à corda, jogava à bola e corria horas por dia com os meus amigos de rua. Hoje, tudo isto se resume a um sofá confortável e a uma consola, a uma TV ou então a um Ipad com internet.
É tempo de dizer BASTA, é tempo de começar a incutir e a adotar hábitos saudáveis, o segredo está na prevenção.
Contudo, é com agrado que vejo cada vez mais pessoas nos ginásios ou então a correr pelas ruas. É com esperança que espero que não seja apenas uma moda e que as pessoas valorizem cada vez mais o exercício físico e os alimentos saudáveis.

Não tenho dúvidas:
Nós somos aquilo que comemos e o quanto nos mexemos.

 

( Foto: Cortesia Virgin Active Palácio )